Era uma vez a propaganda...

Ela tentava entender o que tinha acontecido com aqueles que outrora a amavam. Agora diziam que estava morrendo, ainda que no fundo só estivesse na meia idade.

Mas como toda cinquentona que enche o peito e vai à luta, a propaganda decidiu que reconquistaria o interesse das pessoas.

No campo da forma a competição era cruel. As novas mídias estavam com tudo em cima e possuiam uma flexibilidade que a antiga geração não conseguia alcançar.

A única saída era lutar em outro campo, o do conteúdo. Afinal, no fundo, era isso que realmente importava.

Então a propaganda percebeu que as pessoas acompanhavam uma novela por meses sem ganhar nada em troca. Que pagavam para ver um filme. Que mudavam suas vidas após chegar ao final de um livro.

Desejosa desse poder, ela teve uma idéia. As empresas continuariam sendo a inspiração do seu guarda roupa, mas a partir de agora ela se arrumaria pensando nas pessoas.

Foi assim que a propaganda se transformou em história.


Stories We Like é o blog da STORYTELLERS, escritório de comunicação especializado em criar universos ficcionais para transmitir mensagens corporativas. Ou seja: traduzimos o que empresas precisam dizer em coisas que as pessoas queiram ouvir. Mais sobre a gente aqui. Bem-vindo ao nosso mundo.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Fusilli à Fellini

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

VIRADA CINE-GASTRONÔMICA 2009

Uma vez na vida todo mundo já passou pela experiência de assistir um filme cheio de referências gastronômicas e, depois da sessão, sair do cinema com aquela baita fome torcendo para que o prato da tela se materialize.

Dentro dessa filosofia a Storytellers criou e produziu, no ano passado, a Virada Cine-Gastronômica, cuja segunda edição acontece nesse sábado. A idéia é proporcionar experiências gourmet em meio a sessões de cinema, tudo isso durante a madrugada da Virada Cultural de São Paulo.

Com apenas um ingresso você assiste 3 sessões de cinema, sempre com filmes ligados à gastronomia, e nos intervalos participa de 4 sessões de degustação, com receitas inspiradas nas histórias da telona.

Informações:
Quando? 2 e 3 de maio
Que horas? A partir das 22:00 de sábado até 8:00 de domingo
Onde? HSBC Belas Artes (Consolação x Paulista, São Paulo - SP)
Quanto? R$20,00 (R$10,00 meia entrada)
Venda de ingressos a partir de quinta-feira

Patrocínio: Petybon
Apoio: Dona Benta, Sol, Femsa/Coca-Cola, Salsaretti, Finn

Filmes selecionados:
Volver”, de Pedro Almodóvar
Amor a Flor da Pele”, de Wong Kar-wai
A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de Tim Burton
Correio Sentimental”, de Danniel Danniel
"A Janela da Frente", de Ferzan Oztepek
Ratatouille”, de Brad Bird
"Sua Opinião, Por Favor", de Heddy Honigmann (curta-metragem que será exibido junto de Correio Sentimental)

Programação:
SALA 1/Villa-Lobos (293 lugares)
23h00: Amor À Flor da Pele
01h40: Ratatouille (dublado)
04h10: Volver

Sala 2/Candido Portinari (245 lugares)
23h40: Ratatouille (dublado)
02h10: Volver
04h40: Amor À Flor da Pele

Sala 3/Oscar Niemeyer (163 lugares)
23h50: Volver
02h50: Amor À Flor da Pele
05h00: Ratatuoille (dublado)

Sala 4/Aleijadinho (154 lugares)
00h15: A Fantástica Fábrica de Chocolate (dublado)
03h00: A Janela da Frente
05h20: Correio Sentimental

Sala 5/Carmen Miranda (97 lugares)
00h10: Correio Sentimental
02h15: A Fantástica Fábrica de Chocolate (dublado)
04h40: A Janela da Frente

Sala 6/Mario de Andrade (88 lugares)
23h00: A Janela da Frente
02h10: Correio Sentimental
04h00: A Fantástica Fábrica de Chocolate (dublado)

Fotos do ano passado no Flickr.

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Banho digital

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- Luis Cláudioooooooo!
- Queeeeeeeeeê?!
- Já pro banho!
- Ah, mãe!
- Sem á nem bê. Você tá me enrolando o dia inteiro, anda.
- Só mais um pouquinho.
- Agora, Luis Cláudio.
- Mas eu tô na última fase!
- E eu na última instância da minha paciência, anda, larga já esse computador.
- Peraí, mãe, eu tenho que tomar a última decisão de todas.
- Escolha tomar banho, menino, e não me faça ir até aí.
- Vilão! Vilão à vista! Fight!
- O quê?!
- Pim pum pishhhhhhhhhhhhh. Toma!
- Tô pegando o chinelo.
- Yeeeeeeeeees!

A mãe sobe as escadas furiosa. Estranhamente encontra Luis Cláudio esperando como um anjinho algo sair da impressora.

- Que é que você tanto faz aí, menino?
- Imprimindo meu livro, ué.
- Livro? Mas você num tava jogando no computador?
- Tava. É que eu achei debaixo da cama um...
- Debaixo da cama? Já falei pra num guardar nada debaixo da cama que enche de poeira.
- Não, mãe, foi nesse quarto aqui, ó, esse que tá desenhado no site. Irado, né?
- Mas que site é esse, menino?
- Da Mini Schin.
- Pois minimize suas chances de dormir quente, menino, e vá já pro chuveiro.
- Mas mãe, eu tava salvando o mundo de ficar com um gosto bem azedo pra sempre.
- Que história é essa agora, Luis Cláudio?
- É uma aventura, mãe, deixa eu te contar. Começa nesse quarto. Você abre o livro que tá debaixo da cama e a história começa. Você escolhe o personagem e tudo o que ele vai fazer. Aí aparecem uns games, uns monstros e outras coisinhas mais, gostou?
- Cada dia você me vem com uma história diferente, Luis Cláudio.
- Isso mesmo, cada dia posso criar uma história diferente! Como você sabe? Hoje foi a mais legal de todas, eu salvei o mundo do Findus Refrigeran, quer ver? Meu livro já tá saindo aqui.
- Quero ver esse computador desligado e você de banho tomado, isso sim.
- Eu nem queria mais brincar mesmo...
- Nada como um chinelinho pronto pra cantar, não é, Luis Cláudio?
- É que agora o site fechou... Tá dizendo que é hora de ficar com a família.
- Hum, mas que interessante esse site, Luis Cláudio. Que história é essa?
- Agora num posso, mãe, tenho que tomar banho.


Para saber que história é essa clique aqui.

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

WALKING THE TALKING

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Caros leitores, amigos e "especnautas"*,

Quando um ano sai e o outro entra, são muitas as promessas de transformação. E foi neste meio-tempo que o Stories We Like passou por uma espécie de revolução silenciosa. O blog vinha sendo um espaço para teorizar sobre as muitas possibilidades de comunicação e marketing presentes nas boas histórias. Mas a partir de agora a transformação poderá ser lida.

Empresto dos ingleses a ótima expressão "walk the talk" - algo como "botar a conversa pra andar" - para explicar a nova fase. Chegou a hora de nos lançarmos na jornada da aplicação prática, na qual iremos criar histórias pra falar de histórias.

Parte dessas histórias serão reais e irão narrar os causos que compõem o repertório da Storytellers. As demais serão obras de ficção, pequenos trechos ou recortes de histórias que sempre terão um propósito, além de entreter: uma mensagem a ser expressa, uma informação a ser difundida, um interesse a ser promovido, um ponto de vista a ser compreendido, enfim, sempre haverá um pensamento a ser assimilado por meio da metodologia do Storyplacement.

Pelos aprendizados obtidos e insights gerados, a discussão sobre marketing e histórias não irá cessar, apenas mudar de endereço. As teorias e novidades sobre Storyplacement poderão ser acompanhadas e discutidas no nosso egroup, que apesar de recente já conta com interessantes participações. Para que você também tenha acesso e colabore com esse conhecimento, basta clicar aqui. Até breve.

*o termo "especnauta" é uma mistura de "espectador" com "internauta" e nos foi apresentado pelo Felipe Moreno do programa Letras Criativas.

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

A gente quer comida, diversão e histórias

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Era quase meia-noite e eu voltava de um desses compromissos noturnos que acontecem no meio da semana. Compromissos profissionais, diga-se de passagem. Quase sempre isso significa trocar um jantar de verdade por algum petisco, e uma bebida saudável por algo alcóolico. Como se essa quebra de rotina não tivesse um lado bastante prazeroso. A quem estou tentando enganar?

No caminho, dirigindo por uma grande avenida de São Paulo, me deparo com um Habib´s. A relação entre o cérebro e o estômago, ligeiramente abalada por causa do chopp, faz com que eu ligue os pontos apenas um quarteirão depois. Sim, eu definitivamente estava com fome.

"Obrigado" a retroceder em marcha ré pelo quarteirão a mais, como se a possibilidade de dar a volta fosse instransponível, finalmente estaciono o carro e, algumas chances de acidente depois, já estou dentro do restaurante esperando pelo pedido. Quatro esfihas, duas de carne, duas de queijo.

Impressionante como um pedido simples pode demorar tanto. Quanto maior a fome e a vontade de chegar em casa logo, mais tempo tem um minuto. Mas de repente meu fluxo de pensamentos inúteis é interrompido por um garçom que nota minha camisa e faz uma pergunta.

"Essa camiseta é daquele filme Laranja Mecânica?" Considerando que parecia ser um cara humilde, do tipo que nunca imaginamos vendo um filme desses, tomei um susto. Preconceituoso? Pode ser, mas as vezes a vida prega boas surpresas.

E segue o diálogo:
- Você já viu esse filme?
- Nunca vi.
- Então como você sabe?
- Ah, já ouvi falar muito sobre o laranja lá na Galeria do Rock.
- Legal, você deveria ver, é muito bom.
- É, mas não passa na Globo, eles não passam filme bom, né?

Deveria ter anotado seu nome e levado uma cópia do filme no dia seguinte. Ainda fui ingênuo em indicar uma locadora ali do lado cujo aluguel custa quase 10 reais. Eu matando a fome com quatro esfihas, e uma população inteira por aí com fome de boas histórias.

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Legendas para evitar Game Over

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Já faz algum tempo que saiu essa notícia no Game Reporter. A Ubisoft, uma das maiores desenvolvedoras de videogames do mundo, anunciou que colocará legendas em seus jogos. Se você acha que eles querem traduzir os jogos para alcançar novos mercados, errou. A princípio trata-se de uma tentativa para melhor atender os deficientes auditivos dos mercados em que já atuam.

Muito louvável por sinal. Mas o mais interessante é que isso só passou a ser uma preocupação por um motivo simples: os jogos de hoje têm histórias cada vez mais elaboradas. É verdade que muitos dos videogames de "navinha" de outrora também tinham um contexto, mas em termos de jogabilidade bastava sair atirando e explodindo meia galáxia sem precisar saber os motivos disso. Agora a história é outra. Videogames modernos cada vez mais apresentam narrativas complexas, onde cada fase geralmente é precedida por longos vídeos que explicam de onde os personagens vieram e para onde estão indo.

O entendimento dessas passagens se torna cada vez mais importante para que o jogador tenha um bom desempenho e complete os objetivos. Não entender o que está acontecendo pode ter o efeito de perder um capítulo no meio do livro, ou 20 minutos de filmes.

Final Fantasy 7 é um dos melhores exemplos do nível de profundidade a que uma história de um jogo pode chegar. A cena que você vê no vídeo abaixo, a morte da personagem Aeris, é tão impactante para quem está acompanhando a trama que (sem exagero) arrancou lágrimas de muito marmanjo. O jogador entrando na história no papel do protagonista, e não de um mero espectador passivo, explica parte desse fenômeno.

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

O Orgulho do Macho

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Já faz um tempinho que repercutiu na blogosfera um vídeo sobre o dia em que Homer Simpson é convencido pela Marge a fazer uma colonoscopia. Para quem não sabe, colonoscopia é um tipo de exame do toque retal, só que com uma câmera.

Essa analogia obviamente não serve do ponto de vista clínico, uma vez que, imagino eu, o teste da câmera deva ser bem mais completo do que o do dedo. Mas a comparação não é por aí. O ponto é que ambos ferem o orgulho do macho, principalmente o macho ocidental médio, o macho tipo Homer Simpson.

Então, colocar o próprio enfrentando esse difícil momento, e vendo a tragicidade da coisa ser transformada em piada atrás de piada, foi uma boa sacada da Stand Up 2 Cancer, uma iniciativa que envolve três das principais redes de TV americanas.

Toda história parte de uma ruptura no cotidiano, de algo inusitado, e nada mais inusitado do que Homer Simpson fazendo o tal do exame. Essa história, por si só, já seria capaz de, se não convencer, pelo menos provocar reflexões positivas em muito marmanjo por aí.

Mas a verdadeira genialidade do episódio está no modo como a história é construída. O óbvio seria transformar a saga de Homer Simpson em um tipo de "jornada do herói" (ou do anti-herói?), onde ele, um cara comum, enfrentaria todas as dificuldades, do modo mais dramático possível, até atingir seu objetivo, ou seja, fazer o exame.

Assim até poderia ser interessante, mas reforçaria o martírio mental de todo macho médio que passa pelo dilema entre salvar a própria vida e não perder o orgulho. Indo por outro caminho, nesse episódio a narrativa se desenvolve de uma forma fluída, cômica e, de certa forma, até absurda. Homer Simpson até resiste um pouco no início, mas enfrenta seu destino com relativa tranquilidade, mostrando que, no fundo (sem trocadilhos) não há dilema a ser enfrentado. Não é uma história de como as coisas são, mas sim de como elas deveriam ser. E, por ser protagonizada por um personagem capaz de gerar identificação, tenho certeza que a mensagem foi assimilada por muita gente. Inclusive por mim. ;-)



Em tempo, em uma rodada de discussão sobre o vídeo achamos que o final poderia ser um pouquinho menos exagerado. Existiam outras possibilidades para terminar o episódio de uma forma bem humorada. Mas tudo bem, a iniciativa foi ótima. Prevenção por meio de histórias pode ser uma mão na roda para questões de saúde pública.

Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Dimensão Organizacional

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Em todas as épocas, os autores sempre tiveram suas influências. O leitor mais atento já deve ter percebido que cultivamos uma certa admiração pelo JJ Abrams, o cara responsável por Lost (além de outras séries e filmes). Eu mesmo já escrevi sobre Cloverfield, seu último filme, e a "mystery box", um conceito que ele utiliza em suas histórias. O Palacios já o usou como assunto entre dois personagens, em uma história sobre os 6 graus de separação e, recentemente, fez um link entre isso e sua mais nova série, Fringe.

Pois bem, venho nesse post retomar Fringe e, pra variar, falar de JJ Abrams. Antes mesmo do seriado estrear, os fãs mais atentos viram pelo trailer que logo no primeiro episódio havia um desastre de avião, assim como em Lost. Seria JJ Abrams obcecado por desastres de aviões?

A partir daí o Palacios desenvolveu uma ótima teoria capaz de explicar essa coincidência. Em resumo, avião é um bom recurso para juntar gente de tudo quanto é canto do mundo em uma história.

E é mesmo. Mas, no momento que escrevo esse post já vi até o terceiro episódio e, sem prejudicar quem ainda não passou por essa experiência, adianto que, ao contrário de Lost, em Fringe o avião é só mais elemento, um caso a ser solucionado que acaba ali mesmo, no único episódio em que aparece.

Mas não se preocupe, JJ Abrams revela, logo de cara, que o padrão de suas séries é outro: grandes organizações. Assim como a misteriosa Iniciativa Dharma em Lost, e a Tagruato, empresa que está ligada aos acontecimentos de Cloverfield, uma tal de Massive Dynamic logo de cara aparece em Fringe.


Organizações e empresas fazem parte da vida das pessoas, e por isso não teriam como não fazer parte da vida de personagens contemporâneos. A novidade é que JJ Abrams explora essa dimensão com maestria, fazendo com que empresas fictícias deixem de ser apenas cenários, tornando-as parte importante da trama.

Da Massive Dynamics ainda não dá para falar muito, a não ser que eu já estou intrigado, mas pegando a Iniciativa Dharma como exemplo é fácil entender a metodologia. Muito mais do que um simples dado do contexto, JJ Abrams trata do assunto com incrível detalhamento. Logomarca, uniforme, filosofia, objetivos. Está tudo lá, e cada uma dessas coisas tem seu motivo de ser.

Uma organização bem construída sempre pode ajudar no desenvolvimento da história. Quem já trabalhou em empresa sabe que o ambiente corporativo é uma rica fonte de conflitos, intrigas e toda sorte de gatilhos para as mais variadas emoções. Grande parte da população urbana passa pelo menos um terço do dia em escritórios, portanto, além do trabalho, é lá que muitas vezes as pessoas vivenciam romances, vinganças, dilemas etc.

Fugindo um pouco da órbita do JJ Abrams, é possível citar pelo menos mais dois exemplos disso. Ainda no campo dos seriados, o impagável The Office já diz tudo pelo título. Para quem não conhece, basta dizer que é protagonizado pelo Steve Carell, novo queridinho das (boas) comédias pastelônicas americanas. E, no campo da literatura, One Night @ the Call Center é um romance do escritor indiano Chetan Bhagat, que curiosamente também trabalha em um banco de investimentos. A trama se desenvolve em torno de seis funcionários de um call center no subúrbio de uma cidade indiana.

E você? Se lembra de mais algum exemplo de história onde a empresa praticamente torna-se um personagem? E de que forma empresas reais podem utilizar esse recurso?

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Bruxas, adoráveis criaturas

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Nesse 31 de outubro, a Storytellers pede licença às horripilantes e tradicionais comemorações de Halloween para falar um pouco mais sobre as bruxas, personagens principais não só dessa festa, mas de obras de ficção de diferentes gêneros espalhadas por todo o mundo.


É difícil de explicar o que sentimos por elas, não é? Nós as odiamos, mas parece que também as amamos ao mesmo tempo. Haja psicologia pra explicar essa mistura de sentimentos. Seja como for, é fato que elas nos atraem, e muito.

O motivo pode até parecer verdadeiramente assustador para nós, simples mortais. Preparado? Aí vai: nós nos identificamos com elas.

Identificação, sim senhor, por duas possibilidades. Ou porque elas têm algo que a gente também tem, ou porque elas têm algo que a gente gostaria de ter: poder, sabedoria, conhecimentos secretos, esperteza... Aí vai da ambição de cada um, consciente ou não. E note que as bruxas também podem ter características comumente associadas ao lado "do bem", como bom humor, beleza e bom gosto. Se parar para pensar, várias delas têm pelo menos uma dessas virtudes, e veja bem, às vezes até de sobra.

É como se elas fossem um espelho de nossas vaidades, desejos e características mais egoístas. E aí é que está, os iguais se identificam, pelo menos nesses casos, a despeito de nossa consciência (nem sempre, mas em geral) opressora de sentimentos politicamente incorretos.

E há ainda que se destacar a importância dessas figuras numa obra de ficção. Isso talvez também influencie indiretamente nossa percepção a respeito delas. Em geral, bruxos e bruxas figuram como vilões. E vilões são parte fundamental de um enredo, por uma simples razão: são eles que desafiam nossos heróis, despertando o melhor que existe dentro deles.


Diz-se inclusive que uma história é tão boa quanto seu vilão, já que é a força inimiga que obriga o herói a superar-se para vencer o desafio, geralmente de vida ou morte. Trocando em miúdos: sem os vilões, os heróis seriam mocinhos e mocinhas sem nada pra fazer da vida a não ser cantarolar ou ficar esperando por príncipes encantados.

Agora me diga: se já somos consciente ou incoscientemente atraídos por malvadinhos e malvadões, o que dizer de bruxos simpáticos como Merlin e Harry Potter? Sucesso de público, na certa.

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Vá em paz, Conde

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O Blog Action Day movimentou a blogosfera em sua última edição, realizada na semana passada. Pra quem não sabe, o intuito da ação, criada pelo australiano Collis Ta’eed, é influenciar e promover reflexões em milhares de leitores de blogs acerca de temáticas recorrentes a todos nós. Esse ano o tema foi pobreza.

Pois bem, dessa vez os resultados parecem ter sido menores que os do ano passado, mas não deixam de ser animadores. Mais de 12 mil blogs produziram uma média de 14 mil posts, atingindo uma audiência de mais ou menos 13 milhões de leitores.

Ok, debater é excelente, mas em tempos de eleição, a pergunta que mais interessa é a seguinte: e aí, como é que toda essa teoria vira prática?

Em algum ponto da história, mais precisamente na complexa Rússia do século XIX, houve alguém que, mesmo nobre e rico, saiu do blá-blá e partiu para a ação. Estou falando de ninguém menos que o Conde Lev Nikoláievitch Tolstói.

Qual foi sua contribuição para o mundo? Estupendas obras literárias, como Guerra e Paz e Anna Karênina, só pra citar as mais conhecidas. Mas Tolstói fez muito, muito mais por nós. Suas opiniões sobre temas como teologia, ciência e política, por exemplo, despertaram o interesse de um certo advogado indiano, um tal Mahatma Ghandi, que inspirou-se nas palavras e pensamentos do autor para fortalecer os princípios de sua revolução.

Mas não é preciso ir até à Índia para conhecer seus feitos pela educação e pelo social. Bem ali, em Iásnaia-Poliana, onde morava, Tolstói dedicou parte de sua vida a cuidar da educação dos filhos dos camponeses.

Criou uma escola para seus mujiques e uma metodologia muito particular de ensino. Ele não acreditava muito nas obras pedagógicas de sua época, achava que eram “por demais preocupadas com esquematizações e didatismos e de menos com os reais interesses das crianças que - de acordo com ele, deveriam ser despertadas para uma aprendizagem participante e criativa”.*

Tolstói não cobrava faltas nem exigia provas. Não havia lição de casa nem chamada oral. Ensinava as coisas simples e importantes da vida da maneira que todos nós, desde os primórdios, aprendemos, ou seja, por meio de histórias. Dê só uma olhada:

A rã e o leão
Um leão escutou uma rã coaxando e se assustou, pois pensou que fosse um animal grande, gritando daquele jeito. Ele ficou à espreita e viu a rã sair do pântano. O leão esmagou-a com a pata e disse:
- De agora em diante, não vou me assustar sem antes ver o que é.

O macaco e as ervilhas
Um macaco andava com as mãos carregadas de ervilhas. Uma ervilha caiu no chão; o macaco quis pegá-la e derrubou todas. Então, ficou bravo, espalhou as ervilhas e saiu correndo.

Estudar era uma atividade lúdica, uma diversão. Assim como era para Monteiro Lobato, de certa forma, aqui no Brasil.

Quando Tolstói morreu, as cartilhas já estavam na trigésima edição, com tiragem de cem mil exemplares cada uma, tendo seus contos sido traduzidos em diversas línguas. Em carta enviada a uma prima, Tolstói disse que “se duas gerações de crianças russas, desde os filhos da realeza até dos camponeses, aprendessem as primeiras letras em sua Cartilha e dela recebessem as primeiras impressões poéticas, ele poderia morrer em paz”. Dito e feito.

*Para saber mais - Contos da Nova Cartilha - Liev Tolstói

PS: Agradecimento especial ao professor Samuel Titan Jr, que deu a dica do livro, assim como para Aurora F.Bernardini, autora do prefácio do mesmo.
PS2: Um ex-aluno de Tolstói, Vassíli Marózov, retribuiu o ensinamento de seu mestre escrevendo um livro que conta a vida dos estudantes em Iásnaia-Poliana.
PS3: Além dos contos maravilhosos e folclóricos, fábulas, descrições e histórias verídicas, há várias adivinhações no livro de Tolstói, como esta: "Come depressa, mastiga bem, não engole e não dá pra ninguém”. Pense bem. Resposta nos comentários.